Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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[Quem nos dera que o amor não doesse]

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Quem nos dera que o amor não doesse

mas apenas florisse, tão suave

como diáfano de cor ou frase

que em vítrea Primavera jubilasse.

 

Alegria tão breve e que demora –

onde estás?… Onde estão esses planaltos

do prazer fluído e sem sobressaltos

e do indizível que não tem hora?

 

Tão estranho amor que dói e acontece

e sem razão suaviza os caminhos.

Estepe de Verão. Tapete que floresce.

 

Brandura dos vazios desaparecidos.

A suavidade e o velho deserto

coexistem, absurdos e floridos.

 

 

 

 

De Sonetos de Amor e Morte, de Maria do Mar (livro inédito)

 

data de publicação
06.04.2022
GRAVAÇÃO E EDIÇÃO ÁUDIO
Oriana Alves
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca