Margarida, uma voz onde cabem muitas vozes

Margarida Antunes tem dedicado a vida ao canto. Uma voz que se procura, que se encontra com outras, que semeia.

 

Na infância passou um ano e meio em França, onde o pai esteve emigrado antes do 25 de Abril. Uma experiência que terá contribuído para se tornar assessora de imprensa no Instituto Franco-Português, onde passou a maior parte da sua vida profissional.

 

Antes disso, logo depois da revolução, integrou o GAC – Grupo de Ação Cultural – Vozes na Luta. Ao lado de figuras como José Mário Branco, Fausto ou Luís Pedro Faro, entre tantos outros, percorreu um país pobre e analfabeto, onde faltava tudo, e onde militares e camponeses, por um período breve mas prodigioso, se juntaram a eles num coro pela liberdade e pela justiça social.

 

Já reformada, não lhe sobra muito tempo para descansar. Faz parte da direção da Biblioteca Operária Oeirense, a mais antiga de Oeiras, e da Associação de Canto a Vozes – Fala de Mulheres, responsável pelo pedido de inscrição do canto de mulheres na lista nacional de património cultural imaterial, e é uma das fundadoras do grupo coral feminino Cramol, com mais de quatro décadas de vida e ativíssimo, entre concertos, oficinas de canto e organização de conferências.

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Pensei que era um poema

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Meu querido Extraterrestre,

pensei que era um poema.

– “Breitbart”

baluarte

da “alt-right” –

mas era só

uma notícia de jornal

sobre um site americano

que também podia ser

colombiano coreano

ucraniano angolano

nigeriano peruano

iraniano australiano

humano ou desumano

afinal um desses tantos

sites e sítios

que destilam

veneno contra feministas

mulheres feias

tristes ou velhas

raparigas

demasiado boas

contra negros

contra índios

contra russos e ateus

e os que levam no cu

segundo eles

transsexuais e mexicanos

muçulmanos mulatos

travestis putas e pobres

revoltados inconformados

activistas e progressistas

esquerdistas comunistas

e fervor por chauvinistas

por racistas

por brancos

por ricos

por católicos

por liberalistas

por machos e por machistas

altruístas

“Breitbart”

baluarte

da “alt-right”

que giro

pensei que era um poema

e que até podia

continuar

rá-te ráte

bright blight

estandarte

de ruindarte

byte bite

fight plyght

e que belo fraque

só que este mundo

e gireza – de facto –

meu querido Extraterrestre,

não combinam.

 

 

 

De Saiba porque é que os Extraterrestres não nos Contactam, de Orlando I

 

 

 

 

 

GRAVAÇÃO E EDIÇÃO ÁUDIO
Oriana Alves
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca