Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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Pensei que era um poema

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Meu querido Extraterrestre,

pensei que era um poema.

– “Breitbart”

baluarte

da “alt-right” –

mas era só

uma notícia de jornal

sobre um site americano

que também podia ser

colombiano coreano

ucraniano angolano

nigeriano peruano

iraniano australiano

humano ou desumano

afinal um desses tantos

sites e sítios

que destilam

veneno contra feministas

mulheres feias

tristes ou velhas

raparigas

demasiado boas

contra negros

contra índios

contra russos e ateus

e os que levam no cu

segundo eles

transsexuais e mexicanos

muçulmanos mulatos

travestis putas e pobres

revoltados inconformados

activistas e progressistas

esquerdistas comunistas

e fervor por chauvinistas

por racistas

por brancos

por ricos

por católicos

por liberalistas

por machos e por machistas

altruístas

“Breitbart”

baluarte

da “alt-right”

que giro

pensei que era um poema

e que até podia

continuar

rá-te ráte

bright blight

estandarte

de ruindarte

byte bite

fight plyght

e que belo fraque

só que este mundo

e gireza – de facto –

meu querido Extraterrestre,

não combinam.

 

 

 

De Saiba porque é que os Extraterrestres não nos Contactam, de Orlando I

 

 

 

 

 

GRAVAÇÃO E EDIÇÃO ÁUDIO
Oriana Alves
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca