Vivian Maier, Untitled (s/d)

Sobre a fotografia da criança que se deixa posar

de braços cruzados em frente à montra repleta

de luvas e que olha Vivian nos olhos, o historiador

destacou a importância de usar relógio. No entanto,

quanto mais a observo, mais prefiro que aqui fique

registada a condição de um certo absoluto que se

percepciona naquele olhar. E não se conseguindo

definir a natureza desse absoluto, nem o seu nome,

nem o seu tempo, nem o seu lugar, contemple-se

todo o rosto, determinado pela sujidade e pelo choro,

e a ausência de um sorriso, para se entender que

o que perturba nesta imagem, tão lírica quanto real,

é o excesso de um auto-retrato.

 

 

De Untitled (2017, volta d’mar)

Em qual playlist quer adicionar esta peça?

Tem a certeza que pretende eliminar a lista ?

Necessita de estar registado para adicionar favoritos

Login Criar conta
Partilhar

Nada mudar é por si só um consolo

verdade,

como fiambre é para os gatos poesia grega

 

daqui não se vê como o leitor gostaria mas

quando a gata se deita sobre a luz directa

do parapeito que podia ser esta linha e a lua

ainda não está ainda não tem os olhos rotos

nem o mar chegou porque não foi construído

também ela descreve a história da literatura

no seu casaquinho engomado de pele de chita

 

ternuríssima tu, tanto, que pareces leve e love

quando olho para ti e bocejas daí do além

parece que toco com a palavra a beleza e tu

quase pertences ao que digo neste instante.

 

 

 

 

De Divisão da Alegria (2022, Tinta-da-China)

 

 

GRAVAÇÃO E EDIÇÃO ÁUDIO
Oriana Alves
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca