Vivian Maier, Untitled (s/d)

Sobre a fotografia da criança que se deixa posar

de braços cruzados em frente à montra repleta

de luvas e que olha Vivian nos olhos, o historiador

destacou a importância de usar relógio. No entanto,

quanto mais a observo, mais prefiro que aqui fique

registada a condição de um certo absoluto que se

percepciona naquele olhar. E não se conseguindo

definir a natureza desse absoluto, nem o seu nome,

nem o seu tempo, nem o seu lugar, contemple-se

todo o rosto, determinado pela sujidade e pelo choro,

e a ausência de um sorriso, para se entender que

o que perturba nesta imagem, tão lírica quanto real,

é o excesso de um auto-retrato.

 

 

De Untitled (2017, volta d’mar)

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há poucos eventos para relato que não exijam experimentação

o jacarandá sobe calmamente sem pensamento meu

ou cuidado

 

às vezes tesoura um vento contrariamente

ao querer da árvore que olha os seus filhos a um canto

e é feliz o seu restolhar

parece colocar uma questão sobre o rumo

 

nem todas as formas de vento são qualidades mentais

confidentes românticos, tu sabes

as coisas olhadas pelo certo sopro dão

uma ilusão de vida

 

teclo avulso um diário sucinto de actividades:

apanhar os morangos sem magoar a raiz

educar as daninhas ao ritmo de Ian Curtis

 

não é jazz não é vinho mas imagino

a tua tez corada de luz sincera

os teus passeios em família cheios de criançada

que facilmente ensina palavras simples

e o seu disfarce

 

gosto de ter em ti um amigo que se cumprimenta

como nos filmes que tocam a realidade

Hello, stranger! Tão bom ter-te de volta

há quanto tempo oh, parece uma eternidade…

 

 

 

De Divisão da Alegria (2022, Tinta-da-China)

GRAVAÇÃO E EDIÇÃO ÁUDIO
Oriana Alves
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca