Margarida, uma voz onde cabem muitas vozes

Margarida Antunes tem dedicado a vida ao canto. Uma voz que se procura, que se encontra com outras, que semeia.

 

Na infância passou um ano e meio em França, onde o pai esteve emigrado antes do 25 de Abril. Uma experiência que terá contribuído para se tornar assessora de imprensa no Instituto Franco-Português, onde passou a maior parte da sua vida profissional.

 

Antes disso, logo depois da revolução, integrou o GAC – Grupo de Ação Cultural – Vozes na Luta. Ao lado de figuras como José Mário Branco, Fausto ou Luís Pedro Faro, entre tantos outros, percorreu um país pobre e analfabeto, onde faltava tudo, e onde militares e camponeses, por um período breve mas prodigioso, se juntaram a eles num coro pela liberdade e pela justiça social.

 

Já reformada, não lhe sobra muito tempo para descansar. Faz parte da direção da Biblioteca Operária Oeirense, a mais antiga de Oeiras, e da Associação de Canto a Vozes – Fala de Mulheres, responsável pelo pedido de inscrição do canto de mulheres na lista nacional de património cultural imaterial, e é uma das fundadoras do grupo coral feminino Cramol, com mais de quatro décadas de vida e ativíssimo, entre concertos, oficinas de canto e organização de conferências.

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Os Yaganes – ou Yámanas – foram a tribo mais austral do mundo. Durante 6500 anos, habitaram um labirinto de ilhas no arquipélago sul da Terra do Fogo. Já ninguém fala as línguas dos Yaganes, povo nómada sobre canoas, sem deuses e sem reis, sem linguagem escrita, agora quase sem passado.

 

Produzida com uma grande diversidade de gravações de campo realizadas durante as quatro estações do ano, esta obra de arte sonora é uma exploração histórico-acústica, representando os últimos momentos de encontro de duas culturas com uma grande incompatibilidade de coexistir. Nesta composição narrativa, escutamos as últimas vozes, as últimas memórias, as últimas sensações, prolongando na rádio uma paisagem que se vai perdendo no mais fundo da Humanidade.

 

Documentário, ficção e arte radiofónica, entre a antropologia e a poesia sonora, entre o registo paisagístico e a electroacústica, entre a realidade e a imaginação, Anan é um dos grandes poemas radiofónicos do século XXI. As diferentes formas e variações desta obra de Joaquin Cofreces – autor que recria a rádio como um “poema contínuo” – já passaram em emissoras, festivais e museus de todo o mundo. A primeira versão desta peça, transmitida em Portugal no festival Terra do Som (2014) e então intitulada “A última voz”, recebeu o Phonurgia Nova de 2009, prémio de referência mundial na criação radiofónica.

 

AUTORIA, GRAVAÇÃO, EDIÇÃO, MONTAGEM E MASTERIZAÇÃO
Joaquín Cofreces
ARQUIVOS SONOROS CEDIDOS 1
Gravações fonógrafo (1907)
Charles W. Furlong
Arquivo Fonográfico de Berlim, Alemanha.
ARQUIVO 2
Gravações fonógrafo (1923)
Martin Gusinde
Arquivo Fonográfico de Berlim, Alemanha.
ARQUIVO 3
Registos linguísticos
Oscar Aguilera
Museo Martin Gusinde, Puerto Williams, Chile.
ARQUIVO 4
Úrsula e Cristina Calderón
Museo Precolombino, Santiago do Chile.
ARQUIVO 5
Relatos e cantos de Úrsula Calderón
registados por Rafael Cheuquelaf (2001)
Punta Arenas, Chile.

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