Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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Perdem-se em corta-matos,

trepam encostas, vão de tochas

penitentes, por íngremes caminhos,

pernoitar nos vales despovoados

com rios encaixados em fragas rumorosas.

 

Muitas estão mortas, longínquas

como estrelas de neutrões,

fechadas umas após outras as portas

que o progresso não pôde restaurar.

 

Impune as frequenta o assobio do vento,

o mesmo que há milénios nos sacode desatento.

 

O vento que nos fica com as asas

quando estamos prestes a saltar.

 

 

 

 

De Estrada Nacional (2016, IN-CM)

data de publicação
26.04.2022
Gravação e edição áudio
Oriana Alves
Masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca