Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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Rui Lage [compacto]

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Estes sete poemas, extraídos de Estrada Nacional (IN-CM, 2016) e de Firmamento (Assírio & Alvim, 2022), são habitados por uma tensão entre o visível e o invisível, entre o que já está revelado e o que só se revela à custa da descamação e da escavação do real empírico. Um automóvel que percorre uma estrada de montanha, feito cometa na noite, traz as coisas para a existência ao iluminá-las com os faróis. A luz da estrela que cintila no firmamento percorreu inconcebíveis imensidões de espaço-tempo para chegar até nós. Na verdade, contemplamos estrelas que, nalguns casos, já não existem. Uma luz fóssil.
Afinal, nós próprios somos feitos de invisível – de partículas elementares, infinitamente pequenas – e até dessa matéria escura prevista pela física. O visível é uma falácia.
A minha poesia resiste ao império do visível. Quando tudo é encaminhado para a arena do visível, quando se extinguem todos os recantos escuros, todos os ângulos mortos, que lugar fica para o desconhecido e para o mistério? Que lugar fica para esse invisível que era, para o Rilke, o “Grão-Mestre das ausências”?

 

 

Rui Lage

GRAVAÇÃO E EDIÇÃO ÁUDIO
Oriana Alves
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca