Margarida, uma voz onde cabem muitas vozes

Margarida Antunes tem dedicado a vida ao canto. Uma voz que se procura, que se encontra com outras, que semeia.

 

Na infância passou um ano e meio em França, onde o pai esteve emigrado antes do 25 de Abril. Uma experiência que terá contribuído para se tornar assessora de imprensa no Instituto Franco-Português, onde passou a maior parte da sua vida profissional.

 

Antes disso, logo depois da revolução, integrou o GAC – Grupo de Ação Cultural – Vozes na Luta. Ao lado de figuras como José Mário Branco, Fausto ou Luís Pedro Faro, entre tantos outros, percorreu um país pobre e analfabeto, onde faltava tudo, e onde militares e camponeses, por um período breve mas prodigioso, se juntaram a eles num coro pela liberdade e pela justiça social.

 

Já reformada, não lhe sobra muito tempo para descansar. Faz parte da direção da Biblioteca Operária Oeirense, a mais antiga de Oeiras, e da Associação de Canto a Vozes – Fala de Mulheres, responsável pelo pedido de inscrição do canto de mulheres na lista nacional de património cultural imaterial, e é uma das fundadoras do grupo coral feminino Cramol, com mais de quatro décadas de vida e ativíssimo, entre concertos, oficinas de canto e organização de conferências.

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Rui Lage [compacto]

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Estes sete poemas, extraídos de Estrada Nacional (IN-CM, 2016) e de Firmamento (Assírio & Alvim, 2022), são habitados por uma tensão entre o visível e o invisível, entre o que já está revelado e o que só se revela à custa da descamação e da escavação do real empírico. Um automóvel que percorre uma estrada de montanha, feito cometa na noite, traz as coisas para a existência ao iluminá-las com os faróis. A luz da estrela que cintila no firmamento percorreu inconcebíveis imensidões de espaço-tempo para chegar até nós. Na verdade, contemplamos estrelas que, nalguns casos, já não existem. Uma luz fóssil.
Afinal, nós próprios somos feitos de invisível – de partículas elementares, infinitamente pequenas – e até dessa matéria escura prevista pela física. O visível é uma falácia.
A minha poesia resiste ao império do visível. Quando tudo é encaminhado para a arena do visível, quando se extinguem todos os recantos escuros, todos os ângulos mortos, que lugar fica para o desconhecido e para o mistério? Que lugar fica para esse invisível que era, para o Rilke, o “Grão-Mestre das ausências”?

 

 

Rui Lage

GRAVAÇÃO E EDIÇÃO ÁUDIO
Oriana Alves
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca