Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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Fotometria de Maria Miguel

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Light = Confusion

 

Coleridge

 

 

No princípio eras o tule branco que cegava,

de rivais meridianos e faunos

sempre rodeada,

bronzes puros no disco do Sol.

 

Eu amava a tua natureza ondulatória

no extremo azul da secundária.

Armava a película com cristais de prata

para arrestar a tua aparição

na vila transmontana,

cunhar no trigo a tua moeda

ou nalgum bosque humedecido

gravar o teu friso de água.

 

Agora procuro em ti a sombra dos vales

e agasalho no teu manto púrpura.

Nenhuma ruga pode turvar os teus retratos.

Envelhece apenas a moldura.

 

Agora a tua luz não é só tua,

serve de fundo à da menina,

pequena lente que te aumenta

e obscurece. O teu fulgor é indirecto

e o meu amor um erro de paralaxe.

 

Agora a tua aparição é um eclipse,

um advento que recua,

luz diferida no prisma

do meu coração.

 

Arco-íris em câmara escura.

 

 

 

De Firmamento (Assírio&Alvim, 2022)

Gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca