Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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Paulo levantou-se do chão e, de olhos abertos,

não viu nada

 

 

 

Actos dos Apóstolos, 9

 

I

Subo ao monte sem tocha ou lanterna

a fitar a tela do firmamento

de estrelas inumeráveis perfurada.

 

Subo por não haver sossego na terra,

nem assombro, mistério, ou canto,

apenas tumulto, ecrãs, informação.

 

No manto constelado me agasalho

como peregrino chegado a lugar santo.

Espinho cravado na imensidão.

 

E nem o rumor da auto-estrada

que o vento transporta

destroça o feitiço do infinito.

 

Subo sem ego e sem alma.

Por amor ao distante. Ao inumano.

Subo porque abdico de ser visto.

Bicho de carbono suplicante,

subo ao firmamento como faúlha

convertida em diamante.

 

 

 

 

De Firmamento (Assírio & Alvim, 2022)

 

 

 

Gravação e edição áudio
Oriana Alves
Masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca