Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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Alguma coisa invisível deve actuar em nós,

tão ténue que não chegue

para pressentimento, lume intocável

que nos roça o pensamento, refracção ocular

de um astro distante.

 

Uma força a que imputar o momento angular

do meu coração

quando de avião sobrevoo a nossa casa

à hora a que estendes a roupa

ou esquentas o biberão.

Uma força que elucide o remontar do salmão

às águas nativas, a formiga

que acode à congénere ferida,

o sinal oriundo do aglomerado de Perseu.

 

Uma substância que nos move

ou demove

mas com a qual não chegamos a interagir, alguma coisa

electricamente neutra,

deslocando-se a velocidades próximas

da luz,

uma incidência devolvida,

como o Sol de Janeiro a exaltar o sal dos mortos.

 

 

 

De Firmamento (Assírio & Alvim, 2022)

Gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca