Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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Onde quer que estejas, considera, poderás
mapear os pastos e os pomares
onde suaram derreados teus avós,
sobrevoá-los de ponta a ponta,
zoom in zoom out no cemitério
que lhes arrecada os ossos.

Estarás sempre com o campo.
E sem tocares o chão,
sem sujares os sapatos.

E mesmo na hora mais extrema,
quando, entubado, olhares em volta
e não vires senão as paredes nevadas
dos paliativos,
poderás contemplar os sobreiros, a ponte de madeira,
a pedra da sesta e a macieira que dava
as melhores maçãs,
como ave migradora que passasse invisível lá no alto.

O homem não é a medida de todas as coisas.
O homem é aquele que mediu todas as coisas.
Somente à escala humana
as coisas morrem desmedidas.

 

 

De Estrada Nacional (2016, IN-CM)

data de publicação
27.04.2022
Gravação e edição áudio
Oriana Alves
Masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca