Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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Onde quer que estejas, considera, poderás
mapear os pastos e os pomares
onde suaram derreados teus avós,
sobrevoá-los de ponta a ponta,
zoom in zoom out no cemitério
que lhes arrecada os ossos.

Estarás sempre com o campo.
E sem tocares o chão,
sem sujares os sapatos.

E mesmo na hora mais extrema,
quando, entubado, olhares em volta
e não vires senão as paredes nevadas
dos paliativos,
poderás contemplar os sobreiros, a ponte de madeira,
a pedra da sesta e a macieira que dava
as melhores maçãs,
como ave migradora que passasse invisível lá no alto.

O homem não é a medida de todas as coisas.
O homem é aquele que mediu todas as coisas.
Somente à escala humana
as coisas morrem desmedidas.

 

 

De Estrada Nacional (2016, IN-CM)

Gravação e edição áudio
Oriana Alves
Masterização
Sérgio Milhano, PontoZurca