Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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Encadeada no fulgor da palavra deslizo / abrindo linha sem réplica no ecrã / por levar meu peito além da dor / tal vício refreie o coração móbil / engenho vacilante ao débito dos dedos / sob alvitre d’ortografia mecânica / desvelando por sinais anseio dó / deliro descendo afetos reta / o ecrã canto contínuo / lavrado por emoticons e GIFs / bocejo entre afazeres terrenos / em multitasking faço jus ao jogo / à chama fértil colisão sentimental / treino sorte a contragosto: ao macho seta / pontaria à mulher presa na traça / galanteia e pobre espera // No feed transcorre oferta / um novo perfil lustrino / tabliê tatoo riso retrovisor / gonilha gárrula fibra tensa / cara à banda menina que sou casado / cansado quero testar teu corpo / em trânsito procuro pacto / consórcio companhia alma dupla / a 3 Km somente calvo convoco / nova vida arrisca que não dói / e se falhar havemos de beber / até ficares igual à fotografia.

 

 

 

Diana V. Almeida

de Cosmos e casas (2021, Urutau)

GRAVAÇÃO E EDIÇÃO
Oriana Alves
MASTERIZAÇÃO
PontoZurca