Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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sem casa um beco de vento os chama

céus seus a solidão o silêncio o

segredo tremendo que boca de incêndio

os traga

e solta na noite irrestrita vasta

 

céus seus a inconvenção a demora

o denodo furtado ao mito denso

de que o amor se faz—e é—agora

alegre

trilo mútuo sopro recomeço

 

stacatto em loop ao fio do disco

céus seus o risco o riso o raio aí

acaba

a língua rompida cantando o atrito

veloz tristitia do fruto aberto

 

selo

a tenra polpa soluçante ao grito

céus seus o sismo a fita telepática

tão impante falta que falo nihil

placet inestimável nu abjeto

belo

 

ó Paixão rasgo impérvio e lasso

ato

espelhado com colapso sedutor

à escarpa—de onde raro em rigor

se morre ou se tanto só no palco

a luz a paga

 

e cobra

que ávida no tal morro se contrai

morderá sarará escalada dobra

céus seus o susto a vista a vertigem

se se cai

e se resvala céus seus a corda

 

 

Margarida Vale de Gato

de Atirar para o torto (2021, Tinta da China)

gravação e edição
Oriana Alves
masterização
PontoZurca