Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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não sou assim tão lírica
mas mistura-me láudano
no fel, sobra-me inferno
para a neurastenia
descorrói, se podes
o zelo do ódio
do espelho próximo

nem sou tão flor
mas coloca-me por fora
com um vinco de luz
um afinco de corrente
não me deites terra
não te impacientes
se morro na minha época

não sou bandeira
épica, mas sopra-me
dobra-me e desprega-me
com repelões de vento
enrola-me se puderes
quando me adiantar
à frente das explosões

 

 

Margarida Vale de Gato

de Atirar para o torto (2021, Tinta da China)

gravação e edição
Oriana Alves
masterização
PontoZurca