Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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claro amor vinte anos no fundo sabes

que sendo alto ainda o sol além as estrelas

supernovas rareiam e no escuro violável

há também a dança o tambor a assimetria

do poder do mal parecendo a dor equânime

 

claro amor vinte anos já sabes quase

tudo o que eu disse que gostaria de evitar

para ti noutra carta ao mesmo tempo logo

que a escrevia acho a pensar que era eu

de antemão a avisar-te isto é a assimetria

 

do poder das mães parecendo o amor excecional

claro amor vinte anos se calhar sabes melhor

do que eu pois se o conhecimento é cumulável

acaba por consumir muito consoante o ponto

de vista do trabalho ou do desejo o que te quero

 

assim comunicar feito o parêntesis do capital

e do estado em que encontras a propriedade

que é pouco comum para nem falar da família

do sul da justiça do clima assindical de nós que sinto

ainda isto cá dentro maior que o mundo a atmosfera

 

o mar a onda em que me habitaste e não sei

se é fábula se banal claro amor vinte anos sabes

por fim continuas a entrar

 

 

Margarida Vale de Gato

a publicar no livro Mulher ao Mar e Corsárias, que será o 4.º título da série Mulher ao Mar, publicada pela Mariposa Azual: Mulher ao Mar (2010), Mulher ao Mar Retorna (2013), Mulher ao Mar e Grinalda (2018), Mulher ao Mar e Corsárias (previsto para 2022).

 

 

gravação e edição
Oriana Alves
masterização
PontoZurca