Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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Traição aos tradutores

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Aquém de Homero, a tradução sempre

é ofício de navegação com cavalete

à vista, assente num deve-haver de

transportes entre o do outro, o nosso

uma praxis

 

de futuro temporário exposto eternamente

à falha, artesanato, pontaria a um deus

anterior, fábrica de ambi-cioso fervor

de melhor ouvir uma voz ou destapar

certa visão, prévia a imagens, ante-trama

de línguas, função parva desproporcional

à paciência de avançar a léguas do dito

 

original — esforço manco afinal

que desmancha idiomas como rasgos

humanos, alguns génios, face, em especial

a reservas de hábitos feitos imaginários e ainda

 

assim há que dar-lhe enquadramento profissional

organizado e bem pago como a tantos males necessários.

 

 

Margarida Vale de Gato

poema a publicar no livro Os restos não reclamados, manual lírico da tradução, já disponível na versão alemã, com tradução de Odile Kennel (Die nicht reklamierten Reste. Lyrisches Handbuch des Übersetzens, hochroth Verlag, 2021)

gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca