Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

Em qual playlist quer adicionar esta peça?

Tem a certeza que pretende eliminar a lista ?

Necessita de estar registado para adicionar favoritos

Login Criar conta

As coisas que andam perdidas

Partilhar

As

coisas que andam perdidas escaparam

à nossa alçada (por meia hora

um par de dias

a vida inteira). Parecem ter vida própria (as

coisas

desaparecidas) não

aceitaram o excesso que lhes vínhamos a dar –

como os amigos perdidos que fogem à

nossa alçada (por meia hora

um par de dias

a vida inteira). As coisas que achamos no chão

são coisas

perdidas por outros –

o próprio tempo se ocupa de delir sua passagem

(as pegadas à entrada

os dedos no tampo da mesa

o amor a secar

nos lençóis). Os amigos que andam perdidos

deviam voltar de vez

como esses galhos partidos que se atiram a um cão

não como um seixo de praia que se lança

e fica lá.

 

 

João Luis Barreto Guimarães

in Nómada (2018, Quetzal)

data de publicação
20.02.2022
gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca