Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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Um quarto de hotel em Madrid

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Não se chega a pertencer nunca a

um quarto de hotel. Não se lhe ganha afecto (não

é nosso por inteiro) se é

certo que amanhã outro dono estará

emoldurado

ao espelho. Não se chega a confiar nele

(não se lhe lega segredos) sequer a

palavra impudica expurgada

da pele

pela toalha de banho. Não chega a

ser nossa a cama (não se molda

a nosso jeito) melhor que

nem te despeças dessa alcova pela manhã

quando sabes como é lesta a

entregar-se ao próximo viandante

por dinheiro.

 

 

João Luis Barreto Guimarães

in Você Está Aqui (2013, Quetzal)

data de publicação
24.02.2022
gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca