Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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‘How long shall I hold this hug?’

Tess Gallagher

 

 

O que encerras num abraço quando

abraças alguém não é

um corpo: é tempo. Nesse demorar suspenso

(enquanto deténs outra vida) há

um corpo que é teu enquanto o reténs

nos braços

(porquanto o tens para ti

suspendendo o movimento)

enquanto páras o tempo pelo

tempo

de um abraço. Mas a

força dos teus braços é mais fraca do

que a do tempo e

tens de ser tu a ceder

(tens de ser tu a largar) porque

o tempo não aceita estar parado tanto tempo e

exige que o soltes para

tornar ao movimento.

 

 

João Luis Barreto Guimarães

in Nómada (2018, Quetzal)

gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca