Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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‘How long shall I hold this hug?’

Tess Gallagher

 

 

O que encerras num abraço quando

abraças alguém não é

um corpo: é tempo. Nesse demorar suspenso

(enquanto deténs outra vida) há

um corpo que é teu enquanto o reténs

nos braços

(porquanto o tens para ti

suspendendo o movimento)

enquanto páras o tempo pelo

tempo

de um abraço. Mas a

força dos teus braços é mais fraca do

que a do tempo e

tens de ser tu a ceder

(tens de ser tu a largar) porque

o tempo não aceita estar parado tanto tempo e

exige que o soltes para

tornar ao movimento.

 

 

João Luis Barreto Guimarães

in Nómada (2018, Quetzal)

data de publicação
21.02.2022
gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca