Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

Em qual playlist quer adicionar esta peça?

Tem a certeza que pretende eliminar a lista ?

Necessita de estar registado para adicionar favoritos

Login Criar conta
Partilhar

Ruínas

assim dispostas levam séculos a

conseguir (incêndios

e terramotos mostraram idêntico afã e

rigor na

construção) o lugar de

cada pedra cuidadosamente escolhido

pela regra

do azar (há capitéis pelo chão

numa macedónia de estilos

pousados

na própria sombra). Uma antologia de pedras é

bem matéria para

sombras (o próprio tempo se detém quando

coincide com o espaço)

Seria uma

quase heresia mudar estas pedras de sítio

sem a autorização do tempo

o arquiteto do acaso.

 

 

João Luis Barreto Guimarães

in Movimento (2020, Quetzal)

 

data de publicação
22.02.2022
gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca