Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

Em qual playlist quer adicionar esta peça?

Tem a certeza que pretende eliminar a lista ?

Necessita de estar registado para adicionar favoritos

Login Criar conta
Partilhar

Procura as minhas mãos uma mulher

nos quarenta

pedindo que lhe atrase o outono dos olhos

cansados: «só queria perder dez anos». E

tento o que de amargo possa ter acontecido

para a ter a desejar punir

um decénio à idade –

dou comigo a lamentar não saber delir

memórias somente

rugas e rídulas (ruínas

pouco marcadas). Na armadilha do tempo

ninguém tomba por engano:

não se expurga a pele por décadas quando muito

dano a

dano.

 

 

João Luis Barreto Guimarães

in Poesia Reunida (2011, Quetzal)

gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca