Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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Procura as minhas mãos uma mulher

nos quarenta

pedindo que lhe atrase o outono dos olhos

cansados: «só queria perder dez anos». E

tento o que de amargo possa ter acontecido

para a ter a desejar punir

um decénio à idade –

dou comigo a lamentar não saber delir

memórias somente

rugas e rídulas (ruínas

pouco marcadas). Na armadilha do tempo

ninguém tomba por engano:

não se expurga a pele por décadas quando muito

dano a

dano.

 

 

João Luis Barreto Guimarães

in Poesia Reunida (2011, Quetzal)

data de publicação
23.02.2022
gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca