Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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uma réstia de tarde ainda por resolver.

 

Não durará muito é certo (espera-a

 

o esquecimento) somente o necessário até

 

a noite baixar. Ainda falta esta luz

 

antes de fechar a praia

 

(um átimo para esquecer

 

recordar

 

voltar atrás). Já não sobra muito eu sei

 

(só instantes sem momentos) esse pouco

 

que divisa memória de

 

ilusão. Procuro o inefável na espessura da tarde –

 

se eu não guardar num poema esta hora atravessada

 

nem ela nem esta tarde alguma

 

vez existirão.

 

 

 

João Luis Barreto Guimarães

in Mediterrâneo (2018, Quetzal)

gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca