Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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Mais do que o primeiro verso inquieta-me

o seguinte: o

segundo quem o dá? Escolho o

mundo

com as pálpebras (abrindo e fechando os olhos)

escolher é excluir

excluir é entender

entender é conservar. Cada poema escrito é

uma oportunidade

como alguém em quem se toca e sem

que se conte dá choque

(uma espinha na garganta) a

unha num

quadro de ardósia. Fazer poemas é como ir

roubar

maçãs selvagens –

vais à espera de doçura mas

surpreende-te a acidez. Dentro do poema:

sons

(em redor: espaço branco)

silêncio a trabalhar.

 

 

João Luis Barreto Guimarães

in Nómada (2018, Quetzal)

 

 

 

 

 

 

data de publicação
25.02.2022
gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca