Vanessa, pintora de azulejos de papel

Há quem pinte com palavras e veja o mundo em fractais azulados. Vanessa da Paz veio de Florianopolis, a ilha mágica do Estado de Santa Catarina, no Brasil. Chegou ao Coletivo Bandido, em Oeiras, seguindo o fio do acaso. A contemplação, as cores garridas e a deambulação ocupam os seus dias. À noite, no atelier oeirense, fixa em azulejos de papel cenas vividas entre Alfama, o Chiado, as praias em torno e por onde a leve a arte.

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Pouca sorte têm os pobres de espírito

porque foram expulsos do reino.

 

Pouca sorte têm os mansos

porque decretos guardam as fronteiras.

 

Pouca sorte têm os que choram

porque hão de secar.

 

Pouca sorte têm os que têm sede de justiça

porque os juízes almoçam e jantam do outro lado.

 

Pouca sorte têm os misericordiosos

porque foram devolvidos à própria sorte.

 

Pouca sorte têm os limpos de coração

porque dormirão em barracas

 

e as estradas se cobriram de pó.

Pouca sorte têm os pacíficos

 

e ponto-final.

Pouca sorte têm os que padecem perseguição

 

porque mísseis e ministros

jogam dados em salões dourados.

 

Pouca sorte têm os que têm pouca sorte.

 

 

 

Eucanaã Ferraz

in Retratos com erro (2019, Tinta da China)

gravação
Rádio Batuta
masterização
PontoZurca
agradecimentos
Rádio Batuta