Vivian Maier, Untitled (s/d)

Sobre a fotografia da criança que se deixa posar

de braços cruzados em frente à montra repleta

de luvas e que olha Vivian nos olhos, o historiador

destacou a importância de usar relógio. No entanto,

quanto mais a observo, mais prefiro que aqui fique

registada a condição de um certo absoluto que se

percepciona naquele olhar. E não se conseguindo

definir a natureza desse absoluto, nem o seu nome,

nem o seu tempo, nem o seu lugar, contemple-se

todo o rosto, determinado pela sujidade e pelo choro,

e a ausência de um sorriso, para se entender que

o que perturba nesta imagem, tão lírica quanto real,

é o excesso de um auto-retrato.

 

 

De Untitled (2017, volta d’mar)

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Regina Guimarães

Sobre o autor

Regina Guimarães aka Corbe, Porto, 1957. A par da escrita dos seus poemas, trabalha nas áreas do Teatro, da Tradução, da Canção, da Educação pela Arte, do Cinema. Foi docente na FLUP, na ESMAE, na ESAD; directora da revista A Grande Ilusão; fundadora da Associação Os Filhos de Lumière. Programou o ciclo O Sabor do Cinema no Museu de Serralves. Integrou a equipa do 9 e 1/2, cineclube nómada. É co-fundadora da Casa da Achada-Centro Mário Dionísio. Com Ana Deus, criou a banda Três Tristes Tigres, entre outras aventuras. Tem empreendido experiências em torno da palavra dita e cantada e realizado uma obra videográfica sob a forma de «Cadernos». Organiza desde 2007 a Leitura Furiosa Porto. Tem orientado oficinas de escrita e de iniciação ao cinema. Aspira a estar onde haja uma luta justa a travar. Vive e trabalha com Saguenail desde 1975. Hélastre é o signo da sua obra comum, visitável online, em helastre.wordpress.com