Há postos para a poesia?

Rudimentos vocais

Aspirações orais

Há dias sonoros

Inquietações hertzianas

Ortografias abertas

Poesias ampliadas

Ondas magnéticas

Escavadas na garganta

Sintonias do tempo

In ti mi da de

Arte Memória Política Opinião

Fruição

Meditação

 

E tudo a postos para escutarmos os espíritos?

Amantes da poesia, camaradas ouvintes, coreógrafas da língua, encenadoras dos lábios

Prontas para afinarmos os espíritos?

Artesãs de palavras, operárias do texto, juristas das frases feitas e cuidadoras de ideias

Tudo a postos para sermos poesia?

Há postos para a poesia?

 

 

 

 

Raquel Lima

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Vem do leste este absoluto

este vento do luto a branco

esta aragem pontuada por rajadas

que trazem risos de criança

farrapos de fantasmas

vozes do futuro próximo

e borboletas gigantes

 

Vem do leste este absoluto

que obriga os pássaros a atirarem-se ao mar

e os homens a imitarem esse exemplo

 

Vem do leste

sem aviso prévio

este desejo absurdo de reavaliar o mundo

 

talvez abraçando-o

ou deixando-se abraçar

 

talvez abandonando-se

ou abandonando o barco

 

talvez seguramente em todo o caso

à escuta do ultra-profano

e do infra-sagrado

 

 

 

Regina Guimarães

de Traumatório (2020, Douda Correria)

data de publicação
17.03.2022
gravação e edição áudio
Oriana Alves
masterização
PontoZurca